APÓS QUASE DUAS SEMANAS de discussões e notícias confusas, a WSL se pronunciou oficialmente pela primeira vez, nesta quinta-feira (15), em relação à disputa com políticos havaianos sobre a data de realização do Pipe Masters do ano de 2019. Muitas dúvidas foram esclarecidas; algumas permanecem.

Primeira dúvida esclarecida: a WSL não vai retirar todos os seus eventos do Hawaii a partir de 2019.

Segunda dúvida esclarecida: o Pipe Masters não vai abrir a temporada de 2019 do WT, como era desejado pela WSL.

Em resumo, a WSL não teve sua demanda (troca de datas entre Pipe Masters e Volcom Pipe Pro de 2019) atendida nem levou adiante a ameaça que havia divulgado anteriormente na imprensa havaiana.

O comunicado, entretanto, deixa questões em aberto.

Primeira: teremos o Pipe Masters no final de 2019? Ou realmente vamos passar um ano sem coroar o campeão do mais tradicional dos campeonatos de surf? Se o plano inicial da entidade era realizar dois Pipe Masters na mesma janela (o inverno 2018-19, um em dezembro, outro em janeiro-fevereiro), nada impediria, a princípio, que o mesmo plano fosse apenas adiado em um ano.

Segunda: qual evento vai abrir a temporada de 2019? Segundo o comunicado, a WSL está procurando alternativas. Teremos a inclusão de uma localidade? Ou o ano começará, mais uma vez, na Gold Coast?

Terceira: quais outras mudanças teremos no calendário de 2019? O tal evento final, com os seis primeiros do ranking, já será colocado em prática? Esse plano será adiado pela trapalhada com os prazos para o licenciamento dos eventos de 2018-19?

Medina competindo no Backdoor – não sabemos se a cena se repetirá em 2019. Foto: Laurent Masurel/WSL

Resumo da ópera

Tudo corria certo com os planos de mudança do calendário da WSL para a temporada de 2019. Uma das principais mudanças era a do Pipe Masters, que deixaria de encerrar o tour e passaria a ser a etapa de abertura.

Entretanto, a solicitação ao Departamento de Parques e Recreação de Honolulu pela troca das datas do Pipe Masters (inicialmente em dezembro de 2019) pela do Volcom Pipe Pro (inicialmente em janeiro de 2019) foi feita pela WSL fora do prazo.

Ao que tudo indica, o erro se deve ao fato de as licenças para os eventos serem organizadas e concedidas em cada janela de inverno (que ocupa três meses de dois anos diferentes), e não em cada ano regular. Assim, apesar de as licenças para dezembro de 2019 ainda não terem sido divulgadas, a WSL já não poderia mais alterar o seu evento programado originalmente para janeiro daquele ano.

A negativa do conselho de Honolulu em atender ao pedido da WSL – feito fora do prazo – despertou a reação da CEO da entidade, Sophie Goldschmidt, que recorreu à imprensa local para tentar fazer valer suas reivindicações. Ela afirmou a um repórter do diário Daily Star Advertiser  que a WSL provavelmente teria que retirar do Hawaii todos os eventos que organiza no arquipélago – incluindo os calendários feminino, de qualificação, de longboard, junior e de ondas grandes – se a negativa fosse mantida.

A partir de então, um vaivém de declarações entre Goldschmidt e o prefeito de Honolulu, Kirk Caldwell, deixou a questão em aberto. Ninguém sabia se a WSL blefava, se o conselho de Honolulu iria ceder, ou o que poderia acontecer.

Até que, nesta quinta, as duas partes finalmente se encontraram em uma reunião oficial (Goldschmidt havia abordado Caldwell em seu escritório extraoficialmente, no início do mês, sem agendar um horário com o político) e selaram o acordo.

A WSL não teve seu principal pedido atendido, mas conquistou algumas vitórias menores: as regras de licenciamento de eventos nas ilhas serão alteradas e um conselho dedicado a questões específicas de eventos de surf será criado. Ao que tudo indica, este teria sido o ponto determinante para que a entidade mantivesse o restante de seus eventos nas ilhas.

O WT 2018 começa no dia 11 de março, com o Quiksilver e Roxy Pro Gold Coast, na Austrália. O restante do calendário de 2018 segue inalterado.

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Crédito da imagem de capa: Kirstin Scholz/WSL