As surfistas do Peru e da Argentina conquistaram todos os títulos que estavam em jogo no primeiro evento promovido pela embaixadora do surfe feminino na WSL South America, Marina Werneck, em São Francisco do Sul. A peruana Melanie Giunta fez os recordes do São Chico ECO Festival para festejar sua primeira vitória no Circuito Mundial, na final da etapa do QS 1500 contra a brasileira Monik Santos.

Na decisão da categoria Pro Junior, para surfistas com até 18 anos, a argentina Catalina Mercere bateu Daniela Rosas e acabou garantindo o bicampeonato sul-americano para a também peruana Sol Aguirre, a quem ela havia derrotado nas semifinais. Sol e Daniela ficaram com as vagas para o Mundial Pro Junior da World Surf League, que será realizado na primeira semana de dezembro na Ilha Taiwan.

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“Estou muito feliz. A Monik (Santos) é uma competidora incrível e eu sabia que tinha que surfar meu máximo para ganhar dela”, disse Melanie Giunta. “A Mimi (Dominic Barona) é como uma irmã pra mim e me falou que era para eu entrar lá e só me divertir, porque não tinha mais nada a perder. Então eu fui, na verdade, só para aproveitar o bom momento e Graças a Deus deu tudo certo. Essa é a minha primeira vitória no Circuito Mundial e estou muito feliz por ter conseguido isso no Brasil, que é como uma segunda casa pra mim, pois sempre me sinto muito confortável aqui. Esse ano foi meio complicado pra mim, mas estou feliz por ter quebrado o mau momento aqui e agora vamos com tudo para os próximos eventos”.

A bateria final da etapa mais importante do WSL Qualifying Series no Brasil esse ano, fechou o evento que uniu esporte com sustentabilidade ambiental na histórica cidade catarinense do norte do estado. A pernambucana Monik Santos tinha vencido o QS 1000 encerrado domingo passado no Rio de Janeiro e também chegou na decisão do QS 1500 São Chico ECO Festival, ganhando uma semifinal nordestina com a cearense Yanca Costa. Já a peruana Melanie Giunta passou pela espanhola Lucia Martino, surfista que veio de mais longe para competir em São Francisco do Sul.

A campeã Melanie Giunta

As ondas e o tempo melhoraram bastante e a comissão técnica decidiu encerrar o evento no sábado mesmo. Melanie Giunta fez os recordes do campeonato para conquistar sua primeira vitória no Circuito Mundial. Na semana passada, quem conseguiu esse feito foi a própria Monik Santos, que dessa vez não achou boas ondas na final. Já a peruana atacou forte uma onda com manobras muito potentes para receber a maior nota na Prainha, 7,67. Depois, surfou bem outra boa onda que valeu 6,43 para totalizar 14,10 pontos, contra 11,34 de Monik Santos. Com a vitória, Melanie Giunta assumiu a vice-liderança no ranking sul-americano da WSL South America, que prossegue com a equatoriana Dominic Barona na frente.

“É claro que eu queria ter ganho novamente como domingo passado, mas estou feliz por ter feito mais uma final”, disse Monik Santos. “Infelizmente, só consegui achar uma onda boa, mas é continuar focada, treinando, porque o objetivo é bem maior para as próximas competições. A Marina (Werneck) está de parabéns, pois foi um evento impressionante. O suporte para as atletas, alimentação, localização, foi tudo perfeito e todas as meninas estão felizes, porque nenhum campeonato no Brasil teve esse suporte todo, essa estrutura para nós, então a Marina está de parabéns e espero que os eventos dela se multipliquem pelo Brasil todo”.

Com o vice-campeonato no QS 1500 São Chico ECO Festival, Monik Santos subiu para a quarta posição no ranking sul-americano, que ainda terá três etapas para definir a campeã da temporada, em Itacaré na Bahia, Peñascal no Peru e a última em Pichilemu, no Chile. Derrotadas nas semifinais, a cearense Yanca Costa e a espanhola Lucia Martino dividiram o terceiro lugar em São Francisco do Sul. E quatro brasileiras ficaram empatadas em quinto lugar nas quartas de final, a paraibana Diana Cristina, a saquaremense Taís Almeida, a potiguar Gilvanilta Ferreira e a paulista Julia Santos.

PRO JUNIOR Enquanto a disputa pelo principal título de campeã sul-americana terá ainda três etapas esse ano, na categoria Pro Junior tudo foi decidido no São Chico ECO Festival. A atual campeã sul-americana, Sol Aguirre, tinha vencido a primeira etapa em casa no Peru, mas foi barrada nas semifinais pela argentina Catalina Mercere. A disputa pela outra vaga na final, entre a brasileira Taina Hinckel e a peruana Daniela Rosas, acabou definindo a segunda classificada para o Mundial Pro Junior da World Surf League.

Foi uma bateria fraca de ondas e a catarinense, campeã sul-americana Pro Junior de 2016 e vice em 2017, só surfou uma boa e foi batida por Daniela Rosas, que confirmou um time feminino peruano para representar a América do Sul na Ilha Taiwan, com Sol Aguirre. Ela poderia até ser campeã sul-americana se vencesse o São Chico ECO Festival, mas a argentina Catalina Mercere surfou a melhor onda da bateria e a nota 7,33 acabou garantindo sua primeira vitória no Circuito Sul-americano Pro Junior da WSL South America.

“Estou muito feliz por ter surfado bem essa onda muito boa, que acabou me dando minha primeira vitória importante na carreira”, disse Catalina Mercere. “Infelizmente, eu não tive muitas oportunidades de mostrar meu surfe na outra etapa em Lobitos (Peru) e fiquei sem chances de brigar por vaga, mas estou muito feliz em ganhar aqui agora. É a primeira vez que venho em São Francisco do Sul, as ondas estavam um pouco difíceis, mas o lugar é lindo, dá pra ver que dá boas ondas e estou realmente muito contente pela vitória”.

BICAMPEÃ SUL-AMERICANA Quem também festejou na arena do evento foi Sol Aguirre, pois era o resultado que ela precisava para ser bicampeã sul-americana. Foi também em Santa Catarina, que Sol conseguiu seu primeiro título no ano passado. A final foi com Taina Hinckel e ela impediu que a catarinense conquistasse o bi em casa na Guarda do Embaú. No Mundial Pro Junior, Taina ficou em terceiro lugar, só perdendo para a campeã Vahine Fierro, do Taiti. Agora, serão duas peruanas para tentar o primeiro título mundial feminino da América do Sul.

“Meu Deus, eu nem posso acreditar. Muito obrigada Senhor”, vibrou Sol Aguirre, depois de ser abraçada pelas amigas. “Eu não passei para a final e fiquei muito triste por ter cometido um erro de prioridade (de escolha da próxima onda) na bateria. Mas, eu até estava torcendo para as duas, porque elas estavam surfando muito bem aqui. Estou também muito feliz porque duas peruanas vão para o Mundial. No ano passado, algumas não competiram, mas mostramos que nós, peruanas, também podemos e vamos com tudo para Taiwan”.

Mesmo perdendo a chance de ser campeã sul-americana, Daniela Rosas conseguiu sua classificação para o Mundial Pro Junior pela primeira vez, mas queria mesmo era ganhar: “É lógico que quando chegamos numa final, queremos sempre ganhar, mas estou feliz pela classificação para o Mundial Pro Junior e agora vou mais confiante para os próximos eventos que vem por aí”.

TIME SUL-AMERICANO Com a vitória no São Chico ECO Festival, a argentina Catalina Mercere terminou em terceiro lugar no ranking sul-americano Pro Junior da WSL South America, abaixo apenas das peruanas Sol Aguirre e Daniela Rosas que vão disputar o Mundial da WSL na Ilha Taiwan. A catarinense Taina Hinckel, que dividiu o terceiro lugar em São Francisco do Sul com Sol Aguirre, caiu para a quarta posição no ranking, seguida pela carioca Maju Freitas e mais duas brasileiras, Anne dos Santos e Isabela Saldanha.

O Mundial Pro Junior vai acontecer na primeira semana de dezembro em Taiwan e o time masculino, definido na semana passada em Lobitos, no Peru, será formado pelo campeão sul-americano Samuel Pupo, o também brasileiro Eduardo Motta e os peruanos Jhonny Guerrero e Raul Dañino.

VILA ECOLÓGICA No sábado, além das baterias decisivas rolando nas ondas da Prainha, a Vila Ecológica na arena do São Chico ECO Festival no calçadão ficou cheia, com um bom público no sábado aproveitando as várias atrações, exposições e atividades com foco ambiental e de preservação da Natureza. Várias entidades colaboraram para o sucesso do evento, que marcou a adesão do município de São Francisco do Sul à Campanha Mares Limpos da ONU, entre elas os projetos TAMAR, Route Brasil, Keep The Ocean Blue, Babitonga Ativa, Ecosurf, Toninhas, Instituto COMAR com o Projeto Meros do Brasil, do Curso de Biologia Marinha da UNIVILLE e Associação Movimento Ecológico Carijós – AMECA.

O São Chico ECO Festival foi o primeiro campeonato do projeto idealizado pela embaixadora do surfe feminino na WSL South America, Marina Werneck, de fomentar o crescimento da categoria no Brasil unindo esporte e ecologia. As etapas do QS 1500 e do Pro Junior foram realizadas com o importante apoio da Prefeitura Municipal e da Secretaria de Meio-Ambiente de São Francisco do Sul, Governo do Estado de Santa Catarina através da FESPORTE, Federação Catarinense de Surf (FECASURF) e Associação Francisquense de Surf.


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