Típico de águas profundas, peixe-remo alimenta lendas no Japão; ele também foi encontrado às vésperas do tsunami de 2011, em Fukushima

Por Redação HC

Nas regiões litorâneas do Japão, existe uma lenda sobre um tipo raro de peixe: o mensageiro do palácio do rei Mar. E a aparição desse peixe pelas praias, diz a lenda, é prenuncio grandes catástrofes. Trata-se do peixe-remo, que vive em águas profundas e muito raramente vem à superfície. Alguns indivíduos da espécie haviam aparecido dias antes do abalo sísmico que gerou um forte tsunami em 2011, matando mais de vinte mil pessoas. E alguns têm aparecido, novamente, nas últimas semanas, levando temor a parcelas da população japonesa.

Desde o início do ano, de acordo com dados do Japan Times, seis peixes-remo foram encontrados na costa do Japão, sendo os três últimos capturados por moradores da baía de Hokuriku, situada na ilha de Honshu.


O peixe-remo varia de 5 até 11 metros de comprimento, possui barbatanas vermelhas e um alongado corpo cinza. Predominante nas águas abaixo de 200 metros de profundidade no Oceano Índico e no Pacífico Norte, é raro observar sua presença na superfície.

E existe um fundamento científico para a lenda. Alguns cientistas acreditam que os peixes-remo possam ter uma sensibilidade aguçada para alterações eletromagnéticas, como as que ocorrem com o deslizamento ou encontro de placas tectônicas. A percepção de mudanças nesse campo levaria os peixes à superfície, diz a hipótese, que, entretanto, carece de maiores dados.

Em entrevista à rede de televisão dos Estados Unidos CNN, Kazusa Saiba, tratador do aquário de Uozu, no Japão, alega que o aquecimento global gerou aumento na temperatura dos oceanos, alterando a costa terrestre e as dinâmicas marinhas, o que explicaria a vinda dos peixes-remo.

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