Yago Dora faz melhores nota e soma do dia, seguido por Jadson André — que dá a melhor entrevista do Oi Hang Loose Pro até agora

Por Fernando Guimarães

Jadson André foi o personagem desta sexta-feira (22), quarto dia de competição no Oi Hang Loose Pro, em Fernando de Noronha. O potiguar quase fez as melhores nota e média do dia – o dono delas foi Yago Dora, que arrebentou logo no primeiro duelo. Mas além do show dentro d’água, Jadson também deu a melhor entrevista do campeonato até agora. A bola foi levantada por Marcos Bocayuva, que instigou a emoção ao perguntar sobre sua prancha e a relação dele com seu shaper, Ricardo Martins.

— O Ricardo é o cara mais importante da minha carreira como surfista profissional. Quando eu tinha onze anos de idade, ele fez minha primeira prancha. Próximo mês, vou fazer vinte e nove… São mais de quinze anos surfando com a prancha do cara. Eu chamo ele de tudo. De mestre, de pai… É tudo.  Três dias atrás eu encomendei quinze pranchas. O cara, com todo esse momento difícil, de crise, que o país tá passando, a pergunta que ele me fez foi: “Acha que vai ser suficiente?” O cara é incrível. Muito obrigado por tudo, Ricardo Martins. Esse ano vai ter dois atletas surfando de Ricardo Martins na elite, no CT, eu e o Peterson Crisanto. E o Petersinho tem esse mesmo sentimento pelo Ricardo. Todos nós sabemos os momentos difíceis que o Peterson passou, e o Ricardo sempre ficou do lado dele. E Ricardo sabe o carinho que o Peterson tem por ele, sabe o que a gente sente por ele. Obrigado, Ricardo, te amo! Vamo que vamo.

O depoimento sincero não parou por aí, já que levantaram outra bola: o patrocínio do Açaí do Joca Junior, top da elite mundial nos anos 90 e referência do surf nordestino.

— A forma que eu comecei a trabalhar com o Joca eu vou ser grato pelo resto da minha vida. No meio do ano passado, eu estava passando por algumas dificuldades em relação à infra para continuar no circuito mundial. Eu não tinha mais pra onde correr. Pensei onde eu podia correr atrás, fui atrás do pessoal do Tonico, da Mister Pizza, junto com o Ricardo, e fui atrás do Joca. Falei que estava precisando de uma ajuda, que estava passando dificuldade. Ele não perguntou o valor, não perguntou o que eu queria, ele só falou: Tá fechado, mais tarde a gente se encontra. Então eu tenho um carinho especial pelo Joca. Que esse ano seja um ano especial para todos nós.

Veja aqui: resultados detalhados do Oi Hang Loose Pro em Fernando de Noronha

O carisma de Jadson foi o ponto de exclamação no final de uma excelente — e importante — atuação em sua bateira, a segunda do round 4. O jovem norte-americano Nolan Rapoza vinha surfando com muita verticalidade e completando bons aéreos, e tinha uma certa folga na liderança. Ian Gouveia disputava com Jadson a segunda posição, mas viu o potiguar ganhar a vantagem com um aéreo e uma batida na junção. Mas a segunda posição era incômoda: quem passasse com ela, enfrentaria Gabriel Medina na próxima rodada. Jadson estava ciente e conseguiu agarrar o melhor tubo do dia em um mar muito difícil para avançar em primeiro lugar. Com todo o respeito aos demais competidores, ele mesmo explicou: não dá pra escolher adversário. Mas o Gabriel está um nível acima.

Yago Dora: high score com estilo é mais legal

Jadson só não foi o melhor surfista do dia, em termos de pontuação, porque Yago Dora fez bateria inspiradíssima logo ao amanhecer. Era o primeiro confronto desta sexta, às oito horas de Fernando de Noronha — sete da matina no continente –, e ninguém sabia exatamente o que esperar do mar. Yago não esperou muitas respostas e tratou de arrancar nota do que viu pela frente. Em uma boa rampa para a esquerda, voou girando com um grab. Muito alto. Completou a manobra “na base”, sem o menor esboço de desequilíbrio, e tirou o que seria a melhor nota: 8,83.

Outra ótima apresentação, ainda nas baterias remanescentes do round três, foi do paranaense Peterson Crisanto. O Urso também utilizou de um aéreo para a esquerda — no seu backside — para passar dos oito pontos em sua melhor nota.

Na última bateria desta fase, o segundo cabeça de chave do campeonato passou sufoco. Italo Ferreira ficou virtualmente eliminado na maior parte de seu duelo com Aritz Aranburu, Thiago Camarão e Evan Geiselman. O atual número quatro do mundo conseguiu subir à segunda posição apenas na reta final do duelo, empurrando para fora do campeonato o paulista Thiago Camarão, por uma margem de 0,07 pontos.

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Gabriel Medina não teve a apresentação exuberante dos outros dias, mas avançou com mais segurança que seu colega de top 5 da elite mundial. Reef Heazlewood garantiu a segundo posição e eliminou o luso Miguel Blanco.

O marroquino Ramzi Boukhiam vinha sendo um dos destaques do campeonato, com um surf agressivo e potente, de manobras certeiras. Não conseguiu se encontrar em um dia de condições um pouco mais deterioradas. Mas não foi só isso. Miguel Pupo e Tomas Hermes, que estavam em sua bateria, surfaram muito. Miguel continua acertando bons aéreos para a esquerda, enquanto Tomas faz uma leitura quase única de como atacar as direitas usando toda a área de suas paredes — e com uma velocidade extraordinária.

O último duelo do dia viu os gringos Adin Masencamp (África do Sul), Cam Richards (costa oeste dos Estados Unidos) e Kiron Jabour (carioca criado no Havaí) fazerem outra boa bateria. Richards entrou para o grupo dos melhores do dia com um ótimo aéreo, e Masencamp ganhou de Jabour a briga pela segunda vaga.

Não se sabe ao certo o que esperar do mar neste sábado. A direção de prova (leia-se: Fabio Gouveia) já enfrentou uma sinuca de bico nesta sexta: a previsão diz que as ondas podem baixar no final de semana; mas a mudança das marés impediu o ex-top cinco do mundo de acelerar o campeonato tanto quanto gostaria.

Possivelmente finais amanhã. Possivelmente no domingo. Acompanhe!