Com o título mundial garantido, Gabriel Medina passa por maior rival em final histórica e conquista pela primeira vez o Pipe Masters

Por Fernando Maluf

Gabriel Medina corou a brilhante campanha que o levou ao título mundial de 2018 com uma vitória sensacional sobre o australiano Julian Wilson na final do Billabong Pipe Masters. O título inédito para o brasileiro é também sua 12ª vitória no Circuito Mundial.

Com ondas perfeitas de até oito pés abrindo para os dois lados em Banzai Pipeline, Gabriel Medina foi disparado o melhor surfista de todo o dia. Tirou a única nota 10 do campeonato, na mesma bateria em que fez a melhor média do evento.

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Mais importante ainda do que ter feito a maior média foi a maneira como o fez. Nas quartas de final, Gabriel começou atrás em sua bateria pela primeira vez no Pipe Masters. O jeito como havia dominado os duelos anteriores não estava funcionando, e Conner Coffin liderava com duas boas ondas completadas. Gabriel tinha levado duas vacas e estava em combinação quando arriscou um aéreo após sair de um tubo enorme para a esquerda.

A nota 9,43 foi um respiro. Ele se aproveitou da situação e, sem que Conner tivesse tempo de reagir, remou agressivamente para uma montanha d’água que se movia para o inside. Ganhou a posição do californiano, que não considerou entrar na onda, e dropou para a direita, surpreendendo ao menos aqueles que acompanhavam pela transmissão a distância.

Foi o maior e mais longo tubo do evento, uma nota 10 inegável.

Na semifinal, Gabriel venceu uma disputa apertada contra o sul-africano Jordy Smith, provavelmente a mais difícil do campeonato.

Novamente ele precisou de uma virada. Dessa vez, com um detalhe: havia perdido a prioridade para Jordy em uma onda que não entraria para sua soma se quisesse vencer.

Primeiro, Gabriel “vendeu” para Jordy uma onda sem qualquer potencial. O sul-africano caiu na presepada e dropou uma fechadeira.

Com a prioridade mas sem encontrar as maiores ondas – Jordy tinha isso a seu favor, com um tubo muito pesado para Backdoor -, precisou então combinar uma leitura única das direitas com uma técnica para entubar de backside que é, neste momento, sem par no surf mundial. Para os juízes, a dificuldade da onda de Gabriel compensou o tamanho menor.

Oficialmente, foi esta a bateria que deu o título mundial de 2018 para Gabriel Medina.

A vitória de Gabriel ainda valeu, indiretamente, mais um troféu para o Brasil. Com a derrota de Jordy, Jessé Mendes tornou-se o campeão de 2018 da Tríplice Coroa Havaiana. Um feito memorável no final de uma temporada histórica para Jessé no North Shore de Oahu.

Gabriel descreveu a final como um freesurf ao lado de Julian Wilson. Havia excelentes ondas entrando sem parar, sem a necessidade de usar prioridade ou dominar o pico.

O brasileiro voltou a apostar no Backdoor e tomou a dianteira quando resistiu a uma avalanche de água salgada que tentava fechar a porta de um tubo aparentemente impossível. Nenhuma alma viva deve ter duvidado de que Gabriel conquistaria o título da etapa ao vê-lo emergir, de pé sobre sua prancha, do meio daquela espuma.

O dia começou com uma vitória do sul-africano Jordy Smith sobre Conner Coffin e Ryan Callinan. Jordy estava na última posição até os minutos finais, quando conseguiu a virada com um tubo mediano para Pipe. Ryan Callinan terminou eliminado em uma bateria sem grandes momentos.

Na sequência, Gabriel Medina começou o seu show, mostrando porque é um dos melhores – se não o melhor, neste momento – do circuito em Pipeline.

Em sua primeira onda, conseguiu uma nota excelente. No tubo mais longo do dia até o momento, caminhou pelo meio de uma volumosa foam ball e arrancou 8,57 dos juízes. Medina ainda caiu na saída de outro ótimo tubo para a esquerda antes de estabelecer o domínio completo da bateria com uma série de ondas para Pipe. Em uma delas, recebeu 8,33 dos juízes para fazer a melhor apresentação (em pontos) do Pipe Masters até então: 16,90.

Julian Wilson entrou na bateria seguinte pressionado: se não vencesse, o título era de Gabriel. Ele e Joel Parkinson comandaram as primeiras ações do duelo, mas com notas relativamente baixas. A primeira boa onda foi surfada pelo brasileiro Yago Dora, que, assim como Medina, passou a aproveitar as esquerdas.

Yago mostrou uma enorme intimidade com Pipeline para dominar a bateria contra dois surfistas que já foram campeões. Com 8,20 e 7,77, passou para primeiro e ficou lá durante todo o duelo, com Julian em segundo e Parko em terceiro. Parko teve a prioridade por quase 15 minutos e sequer tentou entrar em qualquer onda.

Yago acabaria derrotado nas quartas de final por Kelly Slater, que tirou o que para muitos seria uma nota 10. Só não foi 10 pois a onda perfeita de Gabriel Medina, uma bateria antes, havia sido claramente superior.

Ainda assim, Yago repete o feito de Gabriel Medina em 2011, quando chegou às quartas de final e terminou no 5º lugar a primeira participação de sua carreira em um Pipe Masters.

Billabong Pipe Masters – resultados e próximas baterias:

Round 4:
1: Jordy Smith 11,50, Conner Coffin 9,43, Ryan Callinan 7,93
2: Gabriel Medina 16,90, Sebastian Zietz 11,93, Michel Bourez
3: Yago Dora 15,97, Julian Wilson 12,44, Joel Parkinson 7,77
4: Joan Duru 10,80, Kelly Slater 9,20, Jessé Mendes 7,00

Quartas de final:
1: Jordy Smith 13,16 x 6,93 Sebastian Zietz
2: Gabriel Medina 19,43 x  14,26 Conner Coffin
3: Kelly Slater 15,53 x 10,17 Yago Dora
4: Julian Wilson 13,50 x 10,07 Joan Duru

Semifinal:
1: Gabriel Medina 16,27 x 15,23 Jordy Smith
2: Julian Wilson 14,20 x 11,27 Julian Wilson

Final:
Gabriel Medina 18,34 x 16,60 Julian Wilson