GABRIEL MEDINA É O CAMPEÃO MUNDIAL DE 2018! O título foi conquistado nesta segunda (17), com a vitória de Gabriel sobre o sul-africano Jordy Smith na semifinal do Billabong Pipe Masters, última etapa do Circuito Mundial da WSL no ano. Ao garantir a vaga na final da etapa, Gabriel abriu uma vantagem que não poderia mais ser alcançada por seus rivais na briga pelo título, Filipe Toledo (já eliminado) e Julian Wilson, o finalista do outro lado da chave.

Ele ainda coroou a conquista com a inédita vitória na final do Pipe Masters, justamente sobre Julian, maior rival de sua carreira e responsável por derrotá-lo na final desta mesma etapa em 2014.

Gabriel chega a dois títulos mundiais (2014 e 2018), e iguala-se a John John Florence, Tom Carroll e Damien Hardman no rol dos grandes nomes do esporte. Tom Curren, Mick Fanning e Andy Irons têm três conquistas cada; Mark Richards tem quatro; e Kelly Slater, que ainda deve competir em 2019, tem 11.

Gabriel Medina em 2018: a trajetória para o bicampeonato mundial:

Classif. no evento: Derrotado por: Ranking após a etapa:
Gold Coast 13º Mikey Wright 13º
Bells Beach Italo Ferreira
Saquarema Wade Carmichael
Bali / Keramas Jordy Smith
Bali / Uluwatu Mikey Wright
Jeffreys Bay Filipe Toledo
Tahiti
Surf Ranch
Hossegor Julian Wilson
Portugal Italo Ferreira
Pipeline Campeão

A bateria decisiva para a conquista começou com Jordy Smith colocando pressão no brasileiro. Os dois dividiram a primeira onda – Jordy foi para a direita, Gabriel para a esquerda. O sul-africano ficou mais fundo e recebeu a primeira nota mais alta.

Jordy logo entrou em um tubo muito grande para o Backdoor e disparou na liderança. Gabriel pegou uma onda mediana logo depois, não melhorou sua nota e ainda perdeu a prioridade.

A virada começou quando Gabriel “vendeu” uma onda ruim para Jordy e tomou de volta a prioridade. O brasileiro então pegou uma onda menor para a direita, mas controlou sua velocidade de maneira incrível, forçando sua passagem por dentro de uma segunda sessão de tubos no inside. A dificuldade técnica das manobras realizadas por Gabriel para manter-se dentro do tubo valeu, para os juízes, a melhor nota do duelo. Jordy buscou uma nota perto da casa dos oito pontos até o final do duelo, sem sucesso. Vaga na final e título mundial de 2018 para Gabriel Medina.

A cereja no bolo ainda estava por vir, na bateria final do Pipe Masters, etapa do circuito mundial que Gabriel nunca havia vencido. E o adversário não poderia ser melhor: Julian Wilson. O australiano já não tinha mais chances de tirar o título mundial de Gabriel, mas poderia dar um “gelo” na festa, assim como fizera em 2014, ali mesmo em Pipeline. Gabriel tinha conquistado seu primeiro título mundial, mas perdeu a final para Wilson.

Mas não é só isso. Julian é o maior rival da carreira de Gabriel. Antes da final, tinham feito nove duelos entre si, com cinco vitórias para o australiano e quatro para o brasileiro. Medina teria a chance de empatar o duelo particular e conquistar um título inédito.

E assim o fez. Mesmo depois de começar atrás, Medina buscou seu caminho de volta para a liderança achanado as maiores ondas e se posicionando mais fundo em todos os tubos. Quando já tinha virado, ainda pegou uma onda para a direita e saiu por dentro de uma bolha de espuma numa sessão já fechada. O ressurgimento, ali, no meio da massa branca revolta de uma onda de oito pés explodindo na bancada de corais de Pipeline, foi o golpe de misericórdia não só em Julian Wilson, mas em qualquer um que ainda duvidava dos méritos da conquista de Gabriel – agora um Pipe Master e duas vezes campeão mundial.

O dia começou com uma vitória do sul-africano Jordy Smith sobre Conner Coffin e Ryan Callinan. Jordy estava na última posição até os minutos finais, quando conseguiu a virada com um tubo mediano para Pipe. Ryan Callinan terminou eliminado em uma bateria sem grandes momentos.

Na sequência, Gabriel Medina começou o seu show, mostrando porque é um dos melhores – se não o melhor, neste momento – do circuito em Pipeline.

Em sua primeira onda, conseguiu uma nota excelente. No tubo mais longo do dia até o momento, caminhou pelo meio de uma volumosa foam ball e arrancou 8,57 dos juízes. Medina ainda caiu na saída de outro ótimo tubo para a esquerda antes de estabelecer o domínio completo da bateria com uma série de ondas para Pipe. Em uma delas, recebeu 8,33 dos juízes para fazer a melhor apresentação (em pontos) do Pipe Masters até agora: 16,90.

Julian Wilson entrou na bateria seguinte pressionado: se não vencesse, o título era de Gabriel. Ele e Joel Parkinson comandaram as primeiras ações do duelo, mas com notas relativamente baixas. A primeira boa onda foi surfada pelo brasileiro Yago Dora, que, assim como Medina, passou a aproveitar as esquerdas.

Yago mostrou uma enorme intimidade com Pipeline para dominar a bateria contra dois surfistas que já foram campeões. Com 8,20 e 7,77, passou para primeiro e ficou lá durante todo o duelo, com Julian em segundo e Parko em terceiro. Parko teve a prioridade por quase 15 minutos e sequer tentou entrar em qualquer onda.

Gabriel venceu duas etapas em 2018 (Teahupoo, no Tahiti, e Surf Ranch, a piscina de ondas de Slater, em Lemoore, Califórnia). Outros pontos altos em sua campanha antes da chegada a Pipeline foram as semifinais em Bells Beach, Austrália, e nas etapas da França e de Portugal, na reta final da temporada, quando assumiu a liderança do circuito.

Billabong Pipe Masters – resultados e próximas baterias:

Round 4:
1: Jordy Smith 11,50, Conner Coffin 9,43, Ryan Callinan 7,93
2: Gabriel Medina 16,90, Sebastian Zietz 11,93, Michel Bourez
3: Yago Dora 15,97, Julian Wilson 12,44, Joel Parkinson 7,77
4: Joan Duru 10,80, Kelly Slater 9,20, Jessé Mendes 7,00

Quartas de final:
1: Jordy Smith 13,16 x 6,93 Sebastian Zietz
2: Gabriel Medina 19,43 x  14,26 Conner Coffin
3: Kelly Slater 15,53 x 10,17 Yago Dora
4: Julian Wilson 13,50 x 10,07 Joan Duru

Semifinal:
1: Gabriel Medina 16,27 x 15,23 Jordy Smith
2: Julian Wilson 14,20 x 11,27 Julian Wilson

Final:
Gabriel Medina 18,34 x 16,70 Julian Wilson