“Tenho muita experiência em viagem, uma bagagem que com certeza conta mais do que beleza. Mais atitude.”
Alana Pacelli

Por Vivian Mesquita
Fotos Alexandre Gennari

 

Convenhamos: Qual leitor aqui não tem uma lista na ponta da língua do ideal de mulher? Digo, mesmo que esta lista não represente e-xa-ta-men-te a mulher que esteja agora ao seu lado?

E você, leitora da Hardcore, sejamos sinceras: magra, linda, bem-sucedida, bem-casada, boa mãe e sem celulite, e que de quebra surfe bem. Quem aqui não quer o pacote completo? 

Pois bem. A freesurfer Alana Pacelli é linda, magra, não tem celulite e surfa muito. Karol Lopes, executiva de marketing da gigante Roxy é bem sucedida, boa mãe, bem-casada, magra, linda. Nossa! Karol, você tem celulite? (risos)

Marina Werneck chega aos 30 anos celebrando novidades que ainda não podemos revelar, somadas a atuação decisiva como fomentadora do surf no Brasil e o posto de influenciadora digital. Casadíssima recentemente, Mariana está na crista onda.

A artista Paulinha Sgarbi tem os traços e linhas mais cobiçadas do universo feminino da tatuagem. 

Poderosas sim, perfeitas… nem de perto e nem de longe – ainda bem. 

Ter um programa de TV e viajar o mundo surfando pode deixar muita gente achando que você não é tão profissional, pasmem! Que só quer “pegar os caras” e até mesmo que deveria parar de se depilar! Sim… tô falando sério! (sic) 

Ainda tem marmanjo no mundo business que se espanta quando encontra uma mulher na mesa de decisão. É mole? E aquela menina livre que você vê na tv e nas mídias sociais… que precisa todos os dias tomar decisões tão difíceis que chegam a paralisá-la. Sabia disso também?

Ter talento e mérito nem sempre são garantias de sucesso e grana no bolso. É! A grama do vizinho é sempre mais verdinha que a nossa. 

A HARDCORE, pelo seu editor, Adriano Vasconcellos, decidiu mexer justamente neste vespeiro, e me convidou para um bate-papo informal com Alana Pacelli, Karol Lopes, Marina Werneck e Paula Sgarbi. Trocamos a poética mesa de bar pelo estúdio de tatuagem da Paulinha na Surf & Sound, na Vila Madalena, reduto artístico e boêmio de São Paulo.

A paixão pela expressão tatuada no corpo e o esporte é o que move essas mulheres. Em tempos nos quais o empoderamento feminino é tão discutido, nosso encontro foi provocado para falar de vida real sem “mimimi”, com muita saia justa e lágrimas até. 

A intenção foi provocar, fazer pensar e, como cantava Chorão: “Eu não vim pra me explicar, eu vim pra confundir”. E assim elas vieram. 

Então, por favor, leia as entrevistas que seguem com seu coração aberto e sem julgamentos. 

Alana e Karol conversaram comigo enquanto Paulinha as tatuava, foi um falar dolorido li-te-ral-men-te! 

Marina passou por todo o processo criativo e depois desistiu da tattoo. Aceite e não julgue, somos mulheres livres para fazer escolhas! 

O papo com a Paulinha foi o oposto de todas. Ela foi entrevistada enquanto criava a minha tatuagem e, depois, desenhava meu braço. Foi intenso, pode acreditar.  

Eu gosto de pensar que o conhecimento é como uma ilha, e o desconhecido é a margem entre a ilha e o oceano que a cerca, ou seja, quanto maior a sua ilha, quanto mais conhecimento você conquista, maior é a sua fronteira com o oceano, maior é a sua fronteira com o desconhecido. Ouvi esse reflexão no documentário Eu Maior e entendi por que as ilhas me atraem tanto. A proposta desse encontro passa por isso: falar, ouvir, conhecer e compartilhar saberes, porque antes de sermos mulheres, somos todas e todos, humanos.

PARTE 1


ALANA PACELLI
23 anos, freesurfer, apresentadora

BOTANDO PRA BAIXO!

Vivian Mesquita: Eu estou vendo sua perninha balançar. Toda vez, antes de fazer uma tatuagem, é assim?

Alana Pacelli: Ah, eu já estou quase desistindo. Toda vez eu falo: “Nossa, dá tempo de desistir?”.

Rola uma ansiedade?

Rola. Não é uma dor muito legal, né?

É. Não tem tatuagem sem dor, né?

É, quem diz que não dói, mente. Dói.

DOR

Fale um pouco dessas dores para a gente: as dores que são inerentes e as dores que são escolhas como essa agora… (Alana foi entrevistada enquanto era tatuada por Paulinha). 

AP: Não sei se eu vou conseguir (risos).

PAULA SGARBI: Vai doer.

AP: Vai. Eu acho que essas dores que você não escolhe passar são coisas que acontecem. O que vai te diferenciar de outras pessoas é a forma como lida com isso. Todo mundo passa por dificuldades na vida. Então, quando me acidentei, fiquei tentando me recuperar e voltei a surfar, eu não conseguia nem dropar uma onda. Tinha vezes que eu saía da água, sentava na areia e começava a chorar, achando que o medo ia me parar. Mas é um negócio que você fala: “Eu vou, eu quero”. Só de pensar nisso, não está nem doendo mais aqui (risos).

Uma dor maior que é a dor atual acaba servindo como anestésico, né?

Isso, exatamente.

Qual foi a maior dor que você já sentiu?

Quando você perde uma pessoa para sempre. “Para sempre”, fisicamente. Você não vai mais ver, ter convivência diária. Parece que arrancou um braço, um pedaço de você.

Quem você perdeu?

Eu tive recentemente a minha avó por parte de pai, que era muito próxima de mim. Não era muito esperado, foi meio rápido, chocante. Acho que essa dor não se compara com nenhuma outra.

Que tipo de mulher era a sua avó? 

Minha avó era muito parecida comigo: ela fazia as coisas, não importava o que pensassem. Ela quem incentivou meu pai a surfar desde pequeno. Meu avô falava: “Não, não vai surfar”. Aí ela foi lá e comprou uma prancha escondida dele e deu para o meu pai (o big rider Jorge Pacelli). Ela levava ele para a praia. Ela era uma mulher que incentivava você a seguir o que te fazia feliz. E não se você ia ganhar dinheiro ou se vai… sei lá.

VAI MESMO!

Você falou que a sua avó incentivou que vocês fossem fazer o que gostavam e viver do surf. E você vive do surf hoje. Você consegue viver com essa grana? 

Consigo me manter. Nunca passei nenhum perrengue, mas não é dinheiro para juntar, sabe? Até porque, quando junto dinheiro, quero fazer uma trip e vai embora (risos). Quando tem eu gasto, mas é outra riqueza. Ir para lugares que, quem não vive essa vida, talvez não irá conhecer. Umas viagens que, por exemplo, com o Canal OFF, são umas viagens que só eles fazem. Eu só tenho a agradecer. Estou vivendo.

Mas a coisa não é muito solta, né? Porque você preferiu terminar a sua faculdade, se formar em marketing, do que por exemplo, ir competir, entrar no Circuito Mundial e tudo mais. Você teria que abrir mão disso. Então, você tem um plano? 

Tenho, mas, se tivesse a oportunidade de correr o circuito eu iria com certeza. Porque é o sonho de qualquer atleta. Mas, para correr o circuito, você precisa de apoio, precisa de um patrocinador forte. Ir sozinho e bancar as coisas é muito fora. E aí não rolou, eu não tenho do que reclamar da minha vida de freesurfer. E está melhorando, estou crescendo, mais madura e andando com as minhas próprias pernas e chamando atenção pelo lifestyle. 

Você fechou com a Billabong agora, não é isso? 

Isso.

Legal! Então isso já é uma nova fase.

AP: É uma nova fase, já está começando. Eu saí de um (ex)patrocínio de longa data e aí fiquei um tempo sem patrocínio… Agora é uma nova fase. Fiquei três meses nas Mentawai e agora já vou voltar para lá na semana que vem. Não estou nem acreditando. O sorriso não cabe no rosto: fechei com a Billa! Ai, meu Deus.

PS: Está doendo? 

AP: Está doendo…

EXTRATERRESTRE, ALIENÍGENA, COISA E TAL… 

Qual foi sua primeira tatuagem?

Minha primeira tatuagem foi essa ondinha aqui, que está meio escondida. Eu tinha 17 anos e minha irmã (Nicolle) foi fazer uma tatuagem, a primeira dela também, fui junto com ela e fiz também. Eu sempre gostei. A primeira tatuagem sempre é difícil de fazer. 

Você tem quantas hoje?

Exatamente, eu não sei, mas acho que são sete, oito, por aí.

Hoje você chegou aqui decidida, já sabia o que queria. Você escolheu… explica pra gente. 

É uma tatuagem que tinha pensado há muito tempo. Eu queria fazer uma sereia, mas aí ficou meio na moda. Aí já tinha meio que desistido da ideia. Só que a Paulinha já fez muitas sereias e, meu, maravilhosas. Eu falei: “Se quiser voltar com a ideia da sereia, tem que ser com ela”. E sou meio viciada em ET e essas coisas de alienígena e tal. Fico pesquisando, estudando e eu acredito muito, muito mesmo.

Você acredita em vida extraterrestre? 

Acredito, muito. E, às vezes, eu fico pirada, de sair à noite lá em Maresias e ficar olhando o céu, esperando alguém vir fazer o contato. 

Você fica esperando o contato? 

AP: Ah, eu queria… Mas aí pensei nessa ideia: de uma nave espacial pescando uma sereia. É uma loucurinha, mas acho que combinou comigo. 

PS: É bem a tua cara mesmo.

A linha de pesca é vermelha? A única tinta que a Paulinha tinha aqui no estúdio fora o preto. Por que uma linha vermelha

AP: A linha vermelha é uma lenda chinesa que diz que duas pessoas estão predestinadas a se encontrar. Independentemente do momento, da vida, de quando, onde elas vão se encontrar. E a linha não pode ser rompida nunca. E ela é invisível aos olhos, aí pensei na linha de pesca dessa aeronave, porque eles estão para se encontrar: o ET e a sereia. Falando assim parece meio ridículo, mas é uma pira minha que eu acredito. E aí, tá vendo, era para eu fazer com a Paulinha, porque a única tinta colorida que ela tem é vermelha. 

PS: É a confirmação de que tinha que ser.

CURRICULUM PERFEITO?

Me ocorreu uma coisa agora, pode ser uma pergunta ridícula, mas: Você está com o coração partido? Tem alguma coisa a ver com essa tatuagem? 

Não, não, meu coração está inteiro. 

E você não está namorando? 

Não, não estou.

Então o coração está livre? Enviem os currículos (risos). Falando nisso, qual é o currículo perfeito, se é que existe, né?

Então, currículo perfeito eu acho que primeiro o cara tem que gostar de praia, natureza. Dar valor para as coisas simples da vida. Você põe uma árvore gigantesca na minha frente e uma Lamborghini, eu vou achar muito mais irada a árvore. As pessoas até me perguntam: “Ah, mas você está viajando e tal. E aí, você não trabalha? Já tem 23 anos”. E eu digo: “Eu posso não ganhar o dinheiro que muita gente está ganhando, mas estou vivendo a vida que viveria”. Então, é isso. Por que você está ganhando tanto dinheiro assim? Para depois viajar e curtir a sua vida? Eu estou fazendo o que gostaria de fazer se tivesse muito dinheiro.

Fala aí aonde você vai, deixa eu anotar (risos), que tem os caras legais?

A gente que vive no surf tem muito homem, né. Por exemplo, em Maresias mesmo, muitas vezes, sou a única mulher na água. É que hoje em dia tem as meninas mais novas, mas várias vezes eu era a única. Então a gente vive no “meio dos homens” e esse ponto incomoda muito a mulherada.

Mas olha só, o teu último namorado não é do meio do surf.

Não.

Então, essa é a pergunta que estou te fazendo. Onde estão os homens interessantes fora do surf?

Não tem um lugar onde encontrar. Você vai conhecendo as pessoas. Queria saber também (risos), porque não encontro muitos. Eu me dou muito bem com os moleques do surf, mas surfista em um relacionamento eu não sei se gosto muito. Eu gosto, porque é parceria. Mas, sei lá, é tudo muito junto, profissão com relacionamento, então, é bom separar um pouco as coisas.

BONITA, SARADA E COMPETENTE

Você tem um programa no Canal OFF, é uma menina jovem e bonita, tem uma história de família muito bacana. Quando senta numa mesa para negociar patrocínio, a beleza ajuda, além da performance, claro? 

Com certeza. Em muitas situações a beleza ajuda muito. Mas tem que ter capacidade, eu acho que a beleza por si só não leva a ganhar um bom patrocinador. Eu tenho muita experiência em viagem, venho de uma família de surfistas, já peguei muita onda. Surfei Jaws, no Havaí, tenho uma bagagem que com certeza conta mais do que a beleza. É mais atitude do que beleza. Porque uma pessoa, para mim pelo menos, se torna mais bela pela atitude.

Acho que isso é como você se sente, o que é genuíno. Mas a mídia, principalmente a mídia que não é especializada, vai lembrar menos da onda de Jaws e mais das fotos bonitas e sensuais, né?

Ah, com certeza. Entendi o que você quer dizer. Eu não fico pensando muito nisso. Até porque, às vezes, as pessoas falam: “Ah, só porque ela é bonita”. Lógico que facilita para uma marca ter uma surfista que é uma modelo. Quem não quer? A menina vai surfar bem e ainda fazer umas fotos de biquíni top.

E o caminho inverso? Não ser tão bonita, não ter o padrão esperado – magra, loira, bonita –, mesmo surfando muito bem, também provoca situações que dificultam o processo para conseguir patrocínio. A Silvana Lima, por exemplo, agora acabou de esfregar na cara de todo mundo, né? A gente veio para essa entrevista celebrando vitória dela (no Mundial de Trestles da WSL). Mas a Silvana vem contando ao longo dos anos a história dela, assim como a Suelen Naraisa, assim como a Tita Tavares, a Alcione Silva, as meninas mais antigas, que o fato de serem negras, nordestinas, de não possuírem o padrão que o lifestyle do surf colou no cenário, prejudicou a conquista de patrocínios independentemente de resultados. Como você vê isso?

A Silvana calou a boca de todo mundo, porque ela não tem comparação. A Silvana, a Tita, meu, é um outro nível de surf. Então, ela tinha patrocinadores muito bons, ela foi anos da Billabong, pela performance dela mesmo. Ela teve a sua valorização pelo surf, até que ela conquistou todo mundo. Todo mundo sabe quem é Gabriel Medina, mas se você perguntar quem é a Silvana Lima para quem não conhece o surf… Estar no Circuito Mundial e não ter um patrocinador forte é um absurdo. 

Você não acha que o fato de ela não ter o padrão atrapalhou?

Com certeza, se ela tivesse o padrão, não teria ficado sem patrocinador, mas eu não acho que por isso ela perdeu os que ela tinha. Mas os patrocinadores abriram mão dela por causa disso, porque sempre estiveram junto com ela e a apoiaram muito. Foi uma crise que derrubou todas as marcas no surf. Mas você não vê nenhuma daquelas meninas loirinhas, magrinhas do WCT sem patrocinador. Então, acho que tem que mudar um pouco essa visão, mas, infelizmente, está difícil.

MEU CORPO NÃO É PÚBLICO!

E o inverso disso? Quando você sofre preconceito por ser sensual ou por aquela vida perfeita. A Letícia Bufoni foi a primeira menina do skate a quebrar paradigmas quando fez aquelas fotos sensuais. Ela foi a primeira também a usar a legging para andar de skate e tudo mais. E no final das contas ela continua sendo uma excelente skatista, ganhando títulos mundiais, tem o programa dela, a grana dela e a vida dela independente das críticas. Você sente isso também? Porque você tem uma imagem muito seguida, cobiçada, comentada. 

É, eu tenho. Mas as pessoas gostam de apontar o dedo e falar: “Tá errado”. Tá errado? Por que a Letícia queria andar de calça legging, por se sentir mais confortável desse jeito, porque ela quis tirar uma foto nua com o skate? Ela tem culpa de ter nascido gata, quebrar no skate e querer fazer o que quer? Deixa ela. Pelo amor de Deus. Isso já é ultrapassado demais. Não precisa ser todo mundo igual. Muito pelo contrário, as diferenças nos tornam iguais. Cada um com a sua vida. “Porque eu surfo de biquíni”, “porque eu posto foto da minha bunda no Instagram”, eu surfo de biquíni, cara, se tu for na praia vai me ver assim. A Letícia, eu admiro muito ela, no skate acho mais quebra de barreira. Porque no surf você está nesse mundo de biquíni, com o corpo inteiro à mostra. A Letícia não, ela estava em um meio com um monte de homem, um monte de menina que só usava calção e calça larga.

E, normalmente, quem aponta mais os dedos: as mulheres ou os homens?

Ah, os homens gostam, né? Mas, mais as mulheres, eu acho. Já ouvi de namorado: “Ah, vai surfar de biquíni?”, pô, vou. Outra vez eu encontrei uma menina, ela virou dessas feministas loucas, parou de se depilar e veio falar para mim que eu tinha que parar de me depilar. Eu falei: “Você tá louca? O que tem a ver?”. E ela: “É, porque você se depila para os homens e você não deveria, já que eles não se depilam”. E ela ficou brava comigo.

A questão do dedo apontado… Você que tem a sua vida exposta na TV sente isso?

Total. Já ouvi comentários: “Ah, só porque as meninas são bonitas estão aí na TV. Todo mundo tem a vida perfeita, não mostra a realidade”, mas a galera gosta de falar mais que a boca, sabe?

E isso te incomoda? Que tipo de comentário te incomoda mais?

Não me incomoda muito. O que me incomoda é quando as pessoas acham que estou só pela imagem. Por exemplo, conheço o Gabriel, o Filipinho, aí quando comento uma foto já vem comentários: “Só está indo para lá porque os moleques estão todos lá”, não! “Você só está indo para o Hawaii porque só tem homem”, não! Eu estou indo para o Hawaii, porque eu sou surfista profissional e vou todo ano para lá. Não vou para procurar homem, eu vou para surfar. 

E por que você não pode querer surfar e pegar os homens também, e daí? 

É, se quiser ir, eu vou também. Não preciso ir até lá, né (risos). Vou até lá para ver os moleques que eu já vejo aqui o ano inteiro. 

Onde você se vê daqui dez anos?

Eu não costumo pensar muito para a frente, mas acho que em dez anos eu quero estar com filho, casada, não quero ser mãe muito tarde também. Quero surfar muito com meus filhos ainda.

MULHER BRASILEIRA

No ano passado, 66% dos brasileiros presenciaram uma cena de violência física ou verbal contra a mulher, 66%, mais da metade da população. Em 2016, 503 mulheres – por hora – sofreram algum tipo de agressão no Brasil, são 4,4 milhões de mulheres. Você já sofreu algum tipo de violência física, verbal ou assédio?

Verbal, já, mas eu não fico quieta. Nunca chegaram a pôr a mão em mim, mas já me ofenderam bastante. Claro que se você retrucar pode levar a uma situação pior, de um outro tipo de agressão. Até dentro d’água aconteceu isso comigo. Foi de sair chorando da água e estava em casa, em Maresias, então conhecia todo mundo e galera voltou para dentro d’água para pegar o cara, colocar para fora e dar um esculacho nele. Mas o cara ficou alegando que não tinha feito nada. Quando você está sozinha é outra coisa, mas graças a Deus eu nunca passei por isso sozinha, sempre tive ajuda.

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Publicada originalmente na HARDCORE #333