Por Fernando Maluf

Antonio Valverde terminou de fazer o upload de seu último vídeo na noite desta quinta e enviou o link para a equipe do site de uma revista australiana, para ver se rolava de publicarem. A resposta dos aussies foi meio vaga, inconclusiva.

“Fui dormir. Quando acordei, o vídeo estava publicado em um site francês, em um outro havaiano e já tinha mais de seis mil visualizações”, conta.

O vídeo em questão é My name is John, o principal produto da primeira temporada havaiana de Antonio.

Aos 19 anos, o carioca chegou ao North Shore no meio da temporada sem saber exatamente o que ia encontrar e sem grandes expectativas. Alguns meses depois, tem um edit de John John Florence rodando o mundo por conta própria e seu nome publicado e comentado em todos os principais sites de surf do mundo. 

Trocamos uma ideia com Antonio pra conhecer melhor o promissor filmmaker e entender melhor como tudo isso aconteceu.

HARDCORE: Esse edit do John John ficou irado. E saiu em tudo que é lugar. Já era uma ideia sua quando você foi pro Hawaii?

Valverde: Na verdade não. A parada é que o John John era sempre quem mais rendia em todas as sessions. E eu tinha muita imagem boa dele. E o Igor Hossmann, meu amigo, que é fotógrafo de dentro d’água, foi pra Jaws e voltou com umas imagens do John John muito bizarras. Quando ele me mostrou eu falei: “vamo fazer um vídeo dele que vai estourar”, porque era uma imagem mais bizarra que a outra. Foi daí que surgiu a ideia. E isso foi no dia que ele foi pra Gold Coast e voltou. A gente até ficou meio bolado, pô, o cara foi embora, não vai rolar mais. Aí no dia seguinte ele surgiu em Pipeline e já pegou várias boas, que estão lá no vídeo, inclusive.

E você já tinha ido pro Hawaii antes?

Foi minha primeira temporada. Eu pensei que tinha que ir pra lá, que lá é onde tudo acontece. Se tiver que acontecer alguma coisa boa vai ser lá. E foi a melhor coisa que eu fiz, conheci muita gente, a galera que eu via de longe e que eram meus ídolos da fotografia e filmagem, o [Ricardo] Kako Lopes, o Henrique Pinguim, pessoas que hoje são meus amigos. Eles me ajudaram muito e ainda ajudam, com vários conselhos sobre os vídeos.

Aliás. Conta um pouco sobre como você começou a filmar. Foi por causa do surf mesmo?

Comecei a filmar faz uns dois anos, foi numa época que eu me machuquei. Eu já pegava onda desde pequeno, e quando sofri essa lesão o médico falou que eu precisava ficar um mês sem surfar. Nessa época um amigo meu tinha uma câmera, aí eu comecei a filmar a galera e me amarrei. Desde lá eu filmo mais do que surfo. Praticamente não surfo mais. As coisas foram acontecendo muito rápido, uma galera falando pra eu continuar, que eu era bom e tal, e foi isso.

Valverde chegando no trabalho em Oahu

E a vibe no Hawaii, era o que você imaginava?

Cara, a vibe de lá é uma coisa indescritível. É muito mais bizarra do que eu achava que era. Essa coisa que falam que lá você sente o mundo do surf é uma coisa que realmente acontece. E uma coisa que eu achava que era que na verdade não é é que olhando de longe parece que todos os mares são perfeitos. E lá eu vi que não é bem assim que funciona. Eu ia pra praia cedão, acordava às seis horas, ia pra praia e ficava até de noite, até escurecer. Só parava pra almoçar e recarregar a bateria e voltava. Porque é em uns mares estranhos, esquisitos, que às vezes rola um wave of the winter. Então eu tava sempre lá. Aconteceu umas três ou quatro vezes de dar mar perfeito, de vir uma boa atrás da outra, mas a maioria das ondas boas que eu filmei foram em mares que você olha e nunca imagina que vai dar uma onda daquela que pode ser um wave of the winter. A galera lá até brincava que eu era o mais fominha, que eu ficava o dia inteiro na praia, não queria saber mais de nada, falava “não vou sair daqui, não vou sair daqui”. E foi assim que eu tive a sorte… Bem, não foi bem sorte, né? Foi assim que eu peguei a maioria das ondas do John John na temporada.

E fora esses caras que você falou, Kako, Pinguim, em quem mais você se inspira? Quais são teus filmes favoritos?

Um cara que eu me inspiro muito hoje em dia, que pra mim é um dos melhores que tem, é o Gabriel Novis. O jeito de fazer filme dele é uma parada que eu acho muito irada. E o meu filme favorito de surf é um filme dele, inclusive, que é o Sorria. Pra mim é o filme mais animal. Tem o Bruno Zanin, também, que é outro cara que eu me inspiro muito. Acho que esses dois são os melhores pra mim, atualmente. O Gabriel, e não só no surf, porque ele produz muita coisa pra fora, e o Zanin, que é um monstro.

E você já produziu pra outros temas fora do surf?

Não! Tenho vontade de trabalhar com música, moda, e até uns curtas metragens mais narrativos. É uma coisa que eu pretendo fazer esse ano. Tô indo estudar em Los Angeles justamente pra isso, aprimorar esse lado do cinema mesmo.

Teus vídeos repercutiram bem nessa temporada. A WSL compartilhou alguns, vários sites gringos publicaram o My name is John. Você já esperava esse reconhecimento, essa repercussão?

Foi uma parada muito inesperada. Eu fui pra lá no meio da temporada, sem expectativa nenhuma. Pensei: “minha primeira temporada, vou só pra conhecer gente e tal”. E já pude ver meus vídeos em vários lugares, na WSL, na Stab, na Surfer. Nos maiores sites de surf do mundo. Fico muito feliz de ver que mesmo estando no começo a galera já está gostando do trabalho. É o que dá mais motivação pra evoluir sempre.

O vídeo do John John foi até meio engraçado. Porque eu acabei de editar ele ontem à noite, fiz o upload no Vimeo e mandei pra Stab, falando que tinha feito esse vídeo dele. E eles me responderam que iam ver se dava pra fazer uma matéria. Mas não falaram nada de imediato. Aí eu fui dormir. Quando acordei já tava em um site francês, acho, e aí em um outro havaiano, e a parada quando eu fui olhar já tinha seis mil visualizações. Aí resolvi mandar logo pra todo mundo. Eu só quero agora que todo mundo veja mesmo, porque as imagens estão muito animais.

Bem, a gente tá fazendo nossa parte! Pra terminar. Tem algum surfista que você queria muito filmar e ainda não rolou? E a trip dos sonhos, qual é?

Na verdade os dois que eu não filmei são os que eu tenho mais vontade de filmar, que são o Filipe Toledo e o Yago Dora. Quando eu cheguei no Hawaii eles já estavam indo embora, então eu filmei, sei lá, uma caída com eles. São os dois que, com certeza, se eu pudesse escolher dois pra filmar, seriam eles. A minha trip dos sonhos é Mentawaii. Eu to planejando ir pra lá no ano que vem, porque nesse estarei fazendo o curso lá na Califórnia. O Caco até me chamou pra ir, ele tá lá agora. Dessa vez não rolou, mas ano que vem eu vou com certeza.

Quer ver acompanhar de perto e ver mais trabalhos do Antonio? Segue ele aqui.