Michel Bourez, Mikey Wright, Jordy Smith, Ítalo Ferreira, Tyler Wright e Lakey Peterson. Depois das dez baterias do Corona Bali Protected realizadas nesta sexta (2) – quartas de final entre os homens, quartas e semi entre as mulheres – são estes os surfistas que seguem vivos na briga pelo título da etapa de Keramas.

As duas camisas amarelas estão em disputa: Ítalo Ferreira e Lakey Peterson precisam vencer a etapa para arrancá-las de Filipe Toledo e Steph Gilmore, respectivamente. Os dois últimos foram eliminados nas quartas de final.

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Depois de dois dias de competitividade frenética, com a qualidade das ondas e a variedade de ataques a elas arrancando todo tipo de superlativo dos espectadores, tudo que aconteceu hoje pareceu um pouco… Normal.

A nota exagerada para o tubo do Mikey Wright no final da bateria contra Willian Cardoso, por exemplo. Ninguém pode dizer que ficou surpreso.

Mikey vem sendo tratado e retratado como a salvação do surf australiano, um jovem rebelde com surf super radical que despretensiosamente arrebenta nas competições. Uhuu! Imagine que narrativa sensacional se ele conquistar a vaga na elite apenas com essas participações como wild card: um inflitrado no sistema, trazendo ares de novidade e com uma história única no formato moderno da WSL.

Agora imagine que esta narrativa está em jogo contra um tardio rookie brasileiro, um veterano escolado por mais de década espancando ondas ruins no QS, sem um patrocinador que o coloque nos holofotes mundiais e sem o chamariz dos aéreos modernosos de um Yago Dora ou um Michael Rodrigues.

A demora de alguns minutos para soltarem a nota de Mikey pareceu uma eternidade. De um jeito ou de outro, ele agora está na semifinal e um passo mais próximo de completar esse script que vem sendo cuidadosamente rascunhado desde o começo do ano.

Panda, por sua vez, tira muito mais do que um quinto lugar de Keramas. Uma campanha dessa costuma trazer junto uma injeção de confiança que, esperamos, já poderá ser vista muito em breve, na sua bateria do round três em Uluwatu.

Willian conseguiu seu melhor resultado na elite e vai com uma injeção de confiança para Uluwatu (WSL/Sloane)

A sintonia de Michel Bourez com as ondas de Keramas continua impressionante, mas as pancadas já voltaram um pouco ao normal. Griffin Colapinto é outro exemplo de normalidade no dia: nada daquele rookie que de repente completa tubos ou aéreos bizarros. Uma decolagem ou outra aqui e ali, sem tanta angulação, sem tanta altura, e uma derrota completamente normal para o surf feijão com arroz extremamente bem feito do taitiano.

O que é normal para Filipe Toledo? Arrancar um 10 em qualquer condição, com alguma manobra que não está ao alcance de 95% dos seus concorrentes? Destruir e ser o melhor surfista, disparado, de toda competição que participa? Ou talvez estejamos esperando demais?

Creio que sim, isso é esperar demais. Ao mesmo tempo em que Filipe tinha total condição de fazer mais de 16 pontos naquela bateria, uma derrota nas quartas de final para um eterno concorrente ao título mundial não é nenhum absurdo. Ainda mais com o sul-africano ao poucos retomando o seu melhor surf – outro sintoma do retorno das coisas à normalidade.

Toda campanha de título mundial tem um punhado de quintos lugares. Ao fim deste campeonato, se Filipinho não for o líder isolado, estará em um empate técnico, meros 30 pontos abaixo de seu amigo Ítalo.

Ítalo, que tem uma carreira ainda incipiente no circuito e que, ainda assim, cedo já está criando o seu padrão, uma régua que usaremos para medir suas performances e dizer: isto foi normal.

A atuação de hoje, por exemplo, foi normal. Acumulou potência e velocidade entre uma manobra e outra de um jeito que, parece, só ele sabe fazer (ou talvez Filipe, mas de frontside); quase completou um aéreo espetacular; somou a melhor média do dia; e garantiu-se entre os quatro melhores. Coisas que soam cada vez mais normais.

Jeremy Flores entubou muito, gritou com o palanque pedindo nota, ofereceu uma ótima briga ao brasileiro pela vaga na semi e por muito pouco não pegou-a para si.

Silvana foi um dos destaques ao longo de todo o campeonato. Por pouco não foi a sua segunda semi do ano (Sloane/WSL)

Tyler Wright havia derrotado Silvana Lima em uma bateria muito disputada. A atual bicampeã mundial pegou então outra brasileira na semi, Tati Weston-Webb.

Tati é uma das atletas mais ambiciosas do circuito e suas atuações esse ano demonstram isso. Foi a surfista perfeita para jogar um pequeno balde de água fria na campanha dos sonhos que Stephanie Gilmore começava a esboçar.

Na semi, Tati esbarrou em Tyler, que começa a se curar da ressaca do bicampeonato. Lakey Peterson é a próxima adversária de Wright, na final do Corona Bali Protected. A vitória significará a liderança do ranking para a norte-americana e um sopro de ar fresco na briga pelo título mundial entre as mulheres.

Às oito horas da noite (horário de Brasília), as semifinais masculinas serão chamadas para a água. Com um programa de pouco mais de duas horas às mãos, a WSL promete um gran finale para a etapa de Keramas. Fique ligado.

Resultados do Corona Bali Protected – Women’s

Quartas de final
1:
Tyler Wright (AUS) 12.94 def. Silvana Lima (BRA) 12.00  

2: Tatiana Weston-Webb (BRA) 9.93 def. Stephanie Gilmore (AUS) 6.90  
3: Lakey Peterson (USA) 12.10 def. Malia Manuel (HAW) 9.84  
4: Sally Fitzgibbons (AUS) 15.00 def. Caroline Marks (USA) 12.00

Semifinal
1:
Tyler Wright (AUS) 15.00 def. Tatiana Weston-Webb (BRA) 14.80  

2: Lakey Peterson (USA) 15.00 def. Sally Fitzgibbons (AUS) 10.83

FINAL:
1:
Tyler Wright (AUS) vs. Lakey Peterson (USA)

Resultados – masculino

Corona Bali Protected Men’s Quarterfinal Results:
1: Michel Bourez (PYF) 16.17 def. Griffin Colapinto (USA) 14.43 
2: Mikey Wright (AUS) 14.93 def. Willian Cardoso (BRA) 14.86 
3: Jordy Smith (ZAF) 15.34 def. Filipe Toledo (BRA) 14.40 
4: Italo Ferreira (BRA) 16.20 def. Jeremy Flores (FRA) 15.73

Confrontos da semifinal
1:
Michel Bourez (PYF) vs. Mikey Wright (AUS) 

2: Jordy Smith (ZAF) vs. Italo Ferreira (BRA)