Com o título do Boost Mobile Pro, Caroline Marks leva para casa primeiro cheque de 100 mil dólares da história do surf feminino

Por Redação HC

A estadunidense Caroline Marks venceu, neste domingo (segunda para australianos), o Boost Mobile Pro Gold Coast, assumindo aos 17 anos de idade a liderança do ranking do Circuito Mundial Feminino da WSL.

Para além da pontuação e da performance de Marks, o evento já seria, de qualquer maneira, um marco para o surf feminino: foi a primeira ocasião na história da elite mundial que homens e mulheres levaram para casa cheques com valores idênticos. No caso da campeã, a maior premiação individual da história do surf feminino: 100 mil dólares.

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A WSL anunciou em 2018 a decisão de entregar premiação em dinheiros igual para homens e mulheres, em todos seus campeonatos de todas as categorias.

Desde então, alguns eventos já haviam acontecido com a regra da igualdade financeira – etapas do QS e do Circuito de Ondas Grandes, principalmente. No filé-mignon do surf competitivo mundial, a etapa da Gold Coast foi o primeiro de todos.

Líder do ranking aos 17 anos, Caroline Marks tentará melhorar seu resultado do ano passado em Bells Beach, quando chegou à semi final (Cestari/WSL)

Atuação incrível e campeãs pelo caminho

Marks já havia mostrado potencial enorme durante a temporada passada, quando fez sua estreia no tour, embora não tenha saído com o título de nenhuma etapa.

Desta vez, a ainda adolescente surfista da Flórida se impôs durante todos os dias de competição na praia de Duranbah.

Com a persistência do chá de sumiço de Tyler Wright, duas campeãs mundiais disputaram o primeiro evento do CT de 2019 entre as mulheres, Stephanie Gilmore e Carissa Moore.

Local da Gold Coast, Stephanie conquistou seu sétimo título mundial em 2018 e comentários de “maior da história” começaram a pular aqui e ali. Steph sabe que precisa do oitavo título para desempatar com Layne Beachley. Está focada e trabalhando duro desde a pré-temporada com sua equipe.

A tricampeã Carissa Moore, por sua vez, vinha de uma sequência à la Gabriel Medina no segundo semestre do ano passado, com duas semifinais e dois títulos nos últimos quatro eventos da temporada, contando aí o histórico troféu de despedida do circuito feminino de Honolua Bay, com direitas perfeitas de oito pés.

Caroline Marks esmagou as duas.

Contra Steph, nas quartas, fez a melhor bateria de todo o campeonato, um atropelo sem precedentes nos últimos anos.

Na semifinal, encarou uma das melhores surfistas do evento, a havaiana Malia Manuel. Malia trocou de shaper recentemente e passou a surfar com pranchas do australiano Darren Handley. A diferença em seu surf foi notada durante toda a ótima campanha em D’bah. E foi ela que chegou mais perto de parar Caroline, mas a americana conseguiu uma virada na reta final do duelo.

Na final, de maneira semelhante à das quartas, embora em um dia com menos ondas, também dominou o duelo com Carissa Moore construindo uma vantagem sólida, confortável, ao longo de todo o duelo.

Seu surf compacto, veloz, vertical, preciso, não deu chances nem ao estilo polido de Steph nem ao power de Carissa. Se estas duas eram as favoritas ao título de 2019, a corrida ao troféu tem agora uma nova participante. Quem segura Caroline Marks?