Descendente de aborígines, Soli Bailey será o primeiro australiano da história do circuito a representar os povos nativos do país com a bandeira indígena

Por Redação HC; foto de capa: Patrick Galloway/ABC News

O surf profissional é um dos poucos esportes que aceitam uma “flexibilização” do conceito de nação e/ou estado. Havaianos sempre competiram pelo Havaí, com a bandeira havaiana, e não pelos Estados Unidos. O mesmo acontece com nativos do País Basco, que podem orgulhar-se de carregar a bandeira de Euskadi, e não da Espanha. Esta atitude irá permitir que um povo indígena australiano seja representado no circuito mundial em 2019, pela primeira vez na história.

Nesta segunda, o australiano Soli Bailey anunciou que irá usar a bandeira aborígine australiana na manga de suas camisas de competição, em vez da tradicional bandeira australiana que remete à colonização britânica.

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“Embora eu esteja super empolgado para representar a Austrália e os nossos valores, esta também é uma oportunidade para mostrar um pouco de amor, um pouco da minha cultura”, disse o surfista recém-qualificado à elite mundial em entrevista ao jornal ABC News, da Austrália.

“Sou parte do povo Yaegl, que consiste em pessoas de Maclean até Coffs Harbour, e isso é a nação Bundjalung“, disse.

Soli é descendente de indígenas australianos pela família de sua mãe. Ele afirma não conhecer profundamente a cultura dos povos nativos do país, mas diz que tem orgulho em poder representar essa parte de sua herança familiar.

“Acho que tem muitas pessoas assim, que tem ascendência indígena e que nunca tiveram tempo para aprender um pouco e seguir aprendendo. Mas é algo muito especial para mim”, diz.

Segundo o jornal, a decisão de Soli foi bem-vinda pela WSL. “Temos muito orgulho em ver surfistas honrando suas raízes”, disse Will Hayden-Smith, diretor regional da entidade para a Oceania.

Apesar de pouco conhecida no restante do mundo, a bandeira aborígine é considerada uma bandeira oficial pelo estado australiano, e chega a ser ostentada ao lado da bandeira de referências britânicas em certas ocasiões. Além dessas, o país tem ainda uma terceira bandeira considerada oficial, de cores verde e azul, que representa os povos das Ilhas do Estreito de Torres.