Por Fernando Maluf

Há 38 anos que o shaper Kareca e sua empresa, a ShineSurfboards, fazem parte da história do surf brasileiro. Na mais recente conquista de Santiago Muniz, no Billabong ISA Games, Panamá, o catarinense estava com uma Shine nos pés. Além do caçula Muniz, outras feras da nova geração nacional também competem com os foguetes de Kareca, como Júnior Faria, Jessé Mendes, Alejo Muniz, Ricardinho dos Santos, Jerônimo Vargas, Kiron Jabour… Confira o bate-papo que tivemos com ele.

Há quantos anos você é shaper?
Desde os 13 anos, acredite se quiser. Fugi de casa para fazer pranchas. E nunca mais parei, na verdade, nunca fui outra coisa na vida.

Na sua primeira fase, quais foram os principais atletas com quem você trabalhou?
Bom, na minha primeira fase meus "atletas" eram meus amigos, que se arriscavam a testar meus inventos. Aprendi muito assim, no teste. Olhando, refazendo, estudando os erros e investindo nos acertos. Agradeço muito a essa galera que confiava no meu trabalho. E por incrível que pareça, ainda estão todos na ativa: Wagner Vovô, Toninho Mocréia, Dedé e Daniel. Além de funcionarem como pilotos de teste, ainda trabalhavam na fábrica. Depois, já na década de 80, vieram os prós: Tinguinha, Taiu, Neno, Amaro e Paulino do Tombo, Jojó, Okumura, Pen, Paulo Kid e por aí foi…

Com quais você trabalha atualmente?
Agora tenho feito um trabalho diferenciado. Além de um patrocinado fixo, que é o Victor Bernardo, tenho shapeado para alguns atletas do circuito. Uma galera que tem se destacado e mostrado através dos resultados positivos nos eventos que a nova geração não está para brincadeira. Isso reflete muito no meu trabalho. Não paro de pesquisar para poder acompanhar as necessidades deles e isso melhora demais minha performance como shaper e designer. Júnior Faria, Jessé Mendes, Alejo e Santiago Muniz, Ricardinho dos Santos, Jerônimo Vargas, Kiron Jabour.

Como você tem o feedback de seu trabalho com os atletas? 
Tenho esse retorno sim. Eles mandam e-mails, filmagens que o Paulo Kid faz. Alguns até ficam na sala de shape olhando e trocando ideias. Acho isso muito bom, porque amadurece o atleta, e o shaper… (risos)

Quando um atleta vai pra alguma trip ou campeonato, você ajuda a selecionar o quiver? As pranchas variam bastante dependendo do destino?
De certa forma, sim. Ouço muito o atleta, o técnico e sigo alguns "instintos" construídos ao longo desses anos como shaper e que guardo em forma de arquivos. (risos)

O Santiago Muniz acabou de vencer o ISA Games no Panamá. Como era a prancha que ele competiu na final? Ele usou a mesma prancha todo o campeonato?
A prancha que ele usou na final era uma 5’11", com bico, rabeta, bordas e quilhas… (risos). Levou outras no quiver, mas usou basicamente essa. O diferencial dessa prancha é que tem um modelo high performance, com 18" e ¼ de meio e 2" ¼ de flutuação, round squash, full deep concave e com bom quick tail.

No caso do Santiago, como está o quiver dele atualmente? O surf dele pede algum detalhe especial?
As pranchas que faço para ele vão de 5’10" a 6’4". Todas projetadas para um surf de muita força, que é uma característica marcante no surf de Santiago.

Qual é a sensação em ver um atleta com sua prancha no alto do pódio? 
Ah, é um tipo de reconhecimento profissional que acaba fazendo valer minha vida dedicada ao surf. É isso que faço desde sempre. Sempre fui shaper, e poder acompanhar a nova geração, tendo passado por todas as outras que deram origem ao que o surf é hoje, é um sentimento gratificante. Gosto de olhar pra trás e ver que alguns atletas das antigas subiram ao pódio com minhas pranchas e também acho importante olhar pra frente e ver os mais novos usando o que faço e se dando bem. Isso mostra que evoluí.

SHINE SURFBOARDS – SHAPE from Shine Surfboards on Vimeo.