Por Fernando Maluf

Adriano de Souza venceu o Billabong Rio Pro de maneira emocionante e tornou-se o primeiro brasileiro da história a liderar o ranking dos melhores surfistas do mundo. Houve muita polêmica: resultados contestados, gringos cornetando, a ASP se justificando; coisas que, agora, já não importam. O que importa mesmo é que o ranking do ASP World Title tem uma nova bandeira no seu topo, a verde-amarela, ao lado do nome do guarujaense Adriano de Souza. Passado o calor da conquista, batemos um papo rápido com o campeão, que, antes de embarcar para uma trip nas Mentawai, falou sobre a conquista, planos e a situação do esporte no Brasil.

Você disse em outras entrevistas que foi um grande alívio vencer o evento no Rio. Havia então muita pressão sobre você? De onde vinha e como ela te influencia, tanto no surf quanto em geral?
Não era uma pressão externa, e sim minha própria. Eu sempre quis muito vencer no Brasil e dois anos atrás fiquei perto, perdendo aquela final para o Kelly (Imbituba, 2009). Acho este evento especial, com toda aquela energia. É indescritível o que a galera passa, é muito forte. Com certeza procuro estar concentrado para dar meu máximo a cada bateria, para retribuir todo carinho, força e tudo o mais…

O seu surf tem sido muito elogiado pelos Tops. Está bem competitivo, você mudou algumas coisas para se adaptar aos critérios do WT. Como você fez pra melhorar isso? Fale desse processo de evolução.
Sempre procuro trabalhar meu surf em todos aspectos, buscando evolução, um equilíbrio cada vez maior entre tudo, parte física, técnica, tática e psicológica. Também venho trabalhando muito minhas pranchas, meu repertório de manobras e outros detalhes. Com certeza, trabalho e foco em cima disto me fazem evoluir, e este momento me mostra que estou no caminho. Devo estar sempre em busca deste equilíbrio. Sempre olhando pra frente.

Você é o atual número um do World Tour, posição cobiçada por todos os outros surfistas. Isso muda algo em sua postura nas baterias e nos campeonatos? Quem você considera as grandes ameaças à sua liderança?
Acho que não muda muita coisa. Tenho de continuar com a mesma rotina. Como disse, buscando evoluir e mantendo a mesma postura, de sempre estar em busca do melhor resultado, indo bateria a bateria. Eu acho que qualquer um dos Top 10 são favoritos ao título.

O resultado da sua bateria contra o Owen foi contestado por muita gente. A ASP, em atitude inédita, divulgou uma nota em defesa própria, justificando a decisão. O que você achou disso?
Foi uma bateria apertada, bem disputada. Sobre a resposta da ASP, achei estranho, mas interessante. Pois esta com certeza não foi a primeira bateria polêmica e nem será a última.

Terminada a final, você saiu correndo na praia e foi imediatamente abraçar o Pinga (manager de Adriano). Você pode nos contar um pouco do que você falou pra ele?
Fui falar que a vitória era para ele também, pois ele nunca saiu do meu lado, sempre me mostrou e mostra que é possível. Estamos juntos a muito tempo e quis dividir aquele momento com ele.

Falando no Pinga, vocês trabalham juntos há algum tempo. O que a figura dele representa para você?
Muito. Estou trabalhando com ele desde meus 9 anos e temos um relacionamento muito forte, de confiança, de acreditarmos um no outro. Da mesma maneira que ele acredita em mim, posso dizer que sinto o mesmo por ele. Com certeza, me passa muita calma e confiança. Ele é um cara que sempre procura ajudar em todos os aspectos, sempre está ali. Pensando em tudo, antecipando os fatos em alguns momentos.

Pra terminar, como foi a comemoração? Conte-nos algo especial…
Depois da maratona de entrevistas, foi falar com a galera. Chegamos ao apartamento em que estávamos, na Barra, e já tínhamos alguns amigos com várias cervejas e dali fomos para a casa de outro amigo e fizemos um belo churrasco. Do jeito que gosto, sossegado, junto aos amigos e bem tranquilo, com muita carne e cerveja. Espero que esta vitória e este momento possam ajudar a colocar o surf em um novo patamar como esporte no Brasil, que a grande mídia dê mais atenção. Acho que o surf é o único esporte em que temos cerca de 20 atletas brasileiros entre os 100 melhores do ranking mundial, com vários em condições de obter ótimos resultados. Isso precisa ser mostrado.

Depois da conquista no Rio, Mineiro está de folga do Tour. Veja aqui seu primeiro vídeo na Indonésia: