Por Fernando Maluf

Filipe tem 16 anos e é filho do bicampeão brasileiro profissional Ricardo Toledo. Local de Ubatuba, o moleque nasceu no surf. No final de maio, Filipe despontou ao vencer a categoria sub-16 do ISA Word Junior em ótimas ondas no Peru. Há menos de uma semana, o local de Ubatuba voltou a chamar a atenção ao bater nomes como Junior Faria e Halley Batista para faturar a etapa do Guarujá do Circuito Petrobras nas Ondas, divisão de acesso à elite brasileira profissional. A HARDCORE falou com Filipinho, que contou sobre dia a dia, surf e planos para o futuro.

Filipe, você vem de uma série de bons resultados. Fale sobre o seu último, no Guarujá. Como foi?
Foi meio do nada. Estava aqui meio desanimado pra ir para o campeonato… Aí meu pai botou uma pilha e eu resolvi ir. Chegando lá tinham altas ondinhas. Fui me surpreendendo a cada bateria, fazendo bons somatórios, ganhando confiança… Aí no final acabou dando tudo certo e, graças a deus, consegui ganhar.

Quando você viaja para competir, você vai com amigos ou família?
Depende, ultimamente tenho ido mais com meu pai e minha mãe, mas várias vezes vou com a galera de Ubatuba. Só a molecada, é irado!

Seus brothers são os que competem com você?
A maioria sim, são os moleque aqui de Ubatuba que estão sempre comigo, a maioria dos Pro Juniors a gente vai junto. A gente sai junto, sempre dando uma força um pro outro, é muito legal.

Quem você considera um adversário perigoso? O cara que você não quer ver na sua bateria?
Pô, desde pequeno quando a gente competia o Hang Loose, eu sempre caía com o Deivid (Silva). Um cara que está sempre chegando junto comigo, batalhando aí lado a lado. Acho que ele é o mais “chato”. Na água o cara pega no pé mesmo.

E as marias parafina? Tão chegando junto já?
Ah… (risos). Uma ou outra, de vez em quando (mais risos).

Continua na escola? Tá estudando?
Estou no colegial, no segundo ano, mas está difícil conciliar com os campeonatos.

Você tem uma rotina de treinos?
Agora eu estou de férias, então todo dia acordo cedo para ir surfar com o Mateus (meu irmão), depois volto pra casa, almoço e dia sim dia não faço treino físico.

E quando está flat?
Vou pra escola. Depois vou dar um rolê de skate na pista, ou uma volta com os amigos, na boa. Normalmente é assim, não tem muito o que fazer por aqui fora isso.

Qual o seu tipo de onda favorito?
Gosto de surfar uma onda mais tubular, de preferência pra direita.

E você tem viajado bastante para conhecer esses picos?
Sim, já viajei bastante, já fui várias vezes pra fora. Já fui pro Peru, Chile, Hawaii, Tahiti, França…

O lugar mais irado. Qual foi?
Tahiti.

Como foi lá? Encarou Teahupoo?
Altas ondas, cara. Peguei Teahupoo todo dia com 1,5 a 2 metros perfeito.

Qual sua manobra favorita? Como define seu estilo?
Tenho um surf radical, consigo acertar uns aéreos irados, mas também gosto de fazer um surf de linha, dar um rasgadão. Tento equilibrar essas duas características para adaptar meu surf aos critérios de julgamento.

Falando nisso, você assiste as baterias do WT? Está por dentro dos critérios de julgamento lá?
Sim, tento assistir a maioria das baterias do WT. Sempre reparo aonde os caras manobras, isso me ajuda muito.

Tá pensando no WT já? Quais são seus planos?
Sim, claro. Meu objetivo é entrar para o Circuito Mundial. Estou melhorando meu surf, meu objetivo é entrar pra elite mundial com o Jadson, Alejo, Mineiro. Tenho certeza que estou no caminho certo para isso ai. Se Deus quiser, logo mais estou dentro.

Quem te inspira? Quem é o cara que você olha e fala ‘quero seguir os passos desse cara’?
Os que quebram e estão sempre focados me inspiram, como o Kelly (Slater). Além de surfar muito, o cara tem a cabeça no lugar.

E no WT, quais são seus favoritos?
Ah, os brasileiros mesmo. O Alejo, Mineiro… Também Mick Fanning e Jordy Smith.

Pra finalizar, conta uma história legal ou um perrengue que você passou…
Ah, perrengue já foram vários. Mas o pior mesmo acho que foi em Teahupoo. Estava vindo a série, fui logo na primeira, dropei e caí. Aí já veio toda a série atrás e tomei todas as ondas na cabeça. Fiquei na bancada, tomando várias ondas, me cortei inteiro, enchi o pé de ouriço. Acho que esse foi o perrengue mais bizarro que já passei!

Veja abaixo um pouco do estrago que o moleque pode fazer: